Em um movimento inesperado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, iniciaram reaproximação política que pode alterar o curso da guerra na Ucrânia. Após meses de relações tensas, na última semana os líderes discutiram estratégias para um possível cessar-fogo, embora especialistas alertem para os riscos dessa aliança.
Após o desastroso encontro entre os líderes das potências, no Salão Oval da Casa Branca, no fim de fevereiro, Zelensky e Trump voltaram à mesa em busca de saborear o prato principal: cessar-fogo incondicional entre Rússia e Ucrânia.
Em uma conversa telefônica recente, Trump se comprometeu a auxiliar a defesa aérea ucraniana e relatou a Zelensky que Vladimir Putin aceitou pausa nos ataques à infraestrutura energética do país. Apesar do avanço diplomático, especialistas avaliam a reaproximação com cautela, destacando os interesses políticos e econômicos por trás do movimento.
A relação entre Trump e Zelensky já passou por momentos de tensão, especialmente após o encontro de fevereiro, quando o presidente americano pressionou a Ucrânia a aceitar concessões territoriais para a Rússia. Agora, o diálogo se torna mais pragmático. Segundo Gustavo Menon, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, a mudança de postura do norte-americano visa fortalecer sua imagem internacional.
No entanto, ele alerta que a paz ainda é incerta. “A Rússia apoia a postura de Trump, já que suas exigências, como adiar a expansão da Otan e aceitar concessões ucranianas, alinham-se aos interesses do Kremlin. Putin usará a disposição americana para exigir mais concessões, enquanto testa a coesão de forças ocidentais. A desconfiança persiste: Trump tenta pressionar a União Europeia para se desvencilhar em termos orçamentários da Otan.”A proposta de Trump de adquirir usinas de energia ucranianas foi prontamente rejeitada por Zelensky, que destacou a importância de manter a soberania energética do país. Mesmo assim, a usina nuclear de Zaporizhzhia, sob controle russo, foi tema das negociações. Zelensky ofereceu aos EUA a possibilidade de assumir sua gestão, caso fosse recuperada pela Ucrânia.
Para o economista Ian Lopes, a movimentação de Trump pode ser uma tentativa de recuperar popularidade após críticas internas por sua postura em relação à Rússia. “Moscou não respeitou o último cessar-fogo, já no mesmo dia eles bombardearam estruturas de energia, o que levanta dúvidas sobre a eficácia dessa nova tentativa”, afirma Lopes.
Além disso, o economista destaca a influência dos interesses minerais na região. “A Ucrânia possui recursos raros que interessam tanto aos EUA quanto à Rússia e à Europa. O discurso de aproximação com Moscou pode ser uma jogada estratégica para negociar esses ativos”, analisa.
A reaproximação entre Trump e Zelensky ocorre em um momento delicado para os aliados europeus, que acompanham com desconfiança os movimentos do governo norte-americano. Líderes demonstram ceticismo quanto à disposição da Rússia em respeitar qualquer acordo de paz.
Laércio Munhoz, coordenador do curso de Comércio Exterior, acredita que a Europa tem um interesse econômico na continuidade da guerra. “A Europa passa por uma severa recessão, investimentos baixos, reservas perto do fim. Juntos, esses fatores sugerem que uma guerra traria recursos. Como demonstrado por empresas como a Volkswagen, que começou a direcionar esforços para a produção militar”, explica.
A reaproximação entre Trump e Zelensky ocorre em um momento delicado para os aliados europeus, que acompanham com desconfiança os movimentos do governo norte-americano. Líderes demonstram ceticismo quanto à disposição da Rússia em respeitar qualquer acordo de paz.
Laércio Munhoz, coordenador do curso de Comércio Exterior, acredita que a Europa tem um interesse econômico na continuidade da guerra. “A Europa passa por uma severa recessão, investimentos baixos, reservas perto do fim. Juntos, esses fatores sugerem que uma guerra traria recursos. Como demonstrado por empresas como a Volkswagen, que começou a direcionar esforços para a produção militar”, explica.
Fonte:Metrópoles